Carta al señor que me comprende

 

 

Barcelona, 15 de noviembre del 2012

 

Hola querido abuelo, ¿cómo van las patas de pollo, el licor de las 11 y el país?

 

Ayer presencié algo que me ha tocado y hoy tengo un hijo para parir. Me gustaría escribir a usted un manifiesto sobre el día 14 de noviembre del 2012, fecha de la Huelga General Europea. 

 

Comparecí y participé a mi manera, soy brasileña sin embargo estoy aquí. Fue emocionante ver a tanta gente unida por una causa común. Era una noche en que se proponía un grito continental, y en la que estuve cerca de dos horas entre niños, adolescente y abuelos, que maldecían a los bancos, subidos en los bancos del Passeig de Gràcia, así como en tantos otros más de las grandes avenidas europeas. 

 

Después de estar en medio a una multitud, me encontré entre pocos, en la Vía Laietana, en mi camino de vuelta a casa. La avenida estaba bloqueada por la policía y en sus furgonetas blindadas la autoridad subía y bajaba la vía, creando una rutina circular que provocaba una ansiosa atmosfera. El repetido movimiento generaba expectativa, pero nadie allí sabía lo que vendría, cuando de repente la policía rompió la rutina y paró, abrió las puertas y empezó a disparar balas de goma contra todos que allí estaban. Éramos tan pocos…

 

Ni banderas teníamos,

En silencio estábamos.

Yo solamente comía unas patatas,

Las cuales casi vomité después de tanto correr,

Pero por suerte conseguí entrar en un callejón

Y apoyar mis manos en la rodilla.

Allí paré y

Lloré…

 

Lloré de rabia, lloré por la injusticia, por la “animalidad” del acto, por la ignorancia, por la puta-podrida-conducta-humana. Tuve ganas de volver, pues habían despertado mi instinto animal, sin embargo dejé la razón imperar y decidí tirar hacia la catedral. Entonces tiré las patatas y volví más una vez a casa. En aquella noche ya no se resolvía nada. 

 

Sin más, un abrazo en la vieja y un apretón en tu mano.

 

Su octava nieta. 

   

                                                                                                                                       

                                                                                                             

 

Carta ao senhor que me entende

 

 

Barcelona, 15 de novembro de 2012

 

Olá querido avô, como vão as coxas de frango, o licor das 11 e o país?

 

Ontem presenciei algo que mexeu comigo e hoje tenho um filho pra parir. Gostaria de escrever ao senhor um manifesto sobre o dia 14 de novembro de 2012, data da Greve Geral Européia.

 

Compareci e participei a minha maneira, sou brasileira mas afinal estou aqui. Foi emocionante ver tanta gente unida por uma causa em comum. Era uma noite em que se propunha um grito continental, na qual estive cerca de duas horas entre crianças, adolescentes e adultos que amaldiçoavam o bancos, encima dos bancos de Passeig de Gràcia, assim como em tantos outros mais das grandes avenidas européias. 

 

Após estar em meio à uma multidão, me encontrei entre poucos, na Via Laietana, no meu caminho de volta à casa. A avenida estava bloqueada pela polícia e em seus “carros-forte”, a autoridade subia e descia a via, numa rotina circular que provocava uma atmosfera ansiosa. O repetido movimento gerava expectativa, mas ninguém alí sabia o que viria. De repente a polícia quebrou a rotina e parou, abriu as portas e começou a disparar balas de borracha contra todos que alí estavam. Éramos tão poucos...

 

Nem bandeiras tínhamos,

Em silêncio estávamos.

Eu somente comia umas batatas, 

As quais quase vomitei depois de tanto correr,

Mas por sorte consegui entrar num beco 

E apoiar as mãos no joelho.

Alí parei e

Chorei...

 

Chorei de raiva, chorei pela injustiça, pela “animalidade” do ato, pela ignorância, pela puta-podre-conduta-humana. Tive vontade de voltar, pois haviam despertado meu instinto animal, porém deixei a razão imperar e decidi não jogar o jogo. Então joguei as batatas fora e voltei mais uma vez à casa. Naquela noite já não se resolvia nada. 

 

Sem mais, um abraço na véia e um aperto na mão do senhor.

 

Sua oitava neta.